sexta-feira, 9 de junho de 2017

Por que fazer missões

POR QUE FAZER MISSÕES

 

1.    Chegou o tempo de mais uma campanha missionária, a campanha de Missões Estaduais.

2.    São três as campanhas que fazemos no ano: Missões Mundiais, Missões Estaduais e Missões Nacionais.

3.    Nós, batistas da Convenção Batista Brasileira, segundo estatística até Março de 2016, que consta do site da CBB, somos cerca de 1.350.000 espalhados em cerca de 7.000 igrejas e 4.000 missões. Temos uma junta Missionária Mundial e uma Nacional que estão em operação há 110 anos e que, juntas, administram cerca de 2.100 missionários. Além disso, cada estado tem a sua junta missionária estadual que, calculo eu, juntas administram mais de 700 missionários. E, ainda além disso, cada igreja desenvolve seu trabalho evangelístico e há igrejas que mantém missionários seus próprios, e há igrejas que mantém missionários batistas que estão nos campos através de outros órgãos missionários como a JOCUM por exemplo.

4.    Por que? Qual a razão de nos preocuparmos assim em fazer missões?

5.    É em torno dessa pergunta que refletiremos nesta manhã, e, para tanto, leiamos alguns trechos bíblicos:

 

“ E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.” (Mateus 4:23 RC)

 

“ E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.  Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;  ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mateus 28:18-20 RC)

 

“ Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1:8 RC)

 

“ E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.  E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?  E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.  E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele.  E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos.  E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra.  E veio e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.  E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.  E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação;  e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.  E olhei e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.  E ouvi a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.  E os quatro animais diziam: Amém! E os vinte e quatro anciãos prostraram-se e adoraram ao que vive para todo o sempre.” (Apocalipse 5:1-14 RC)

 

6.    O grande missionário Adoniran Judson disse certa feita: "Muitos crentes consagrados jamais atingirão os campos missionários com os seus próprios pés, mas poderão alcançá-los com os seus joelhos”. Poderíamos acrescentar “e com os seus bolsos” às palavras de Adoniran Judson.

7.    Houve um tempo na história da igreja em que Missões era assunto proibido. Quando o inglês William Carey buscou ajuda para pregar o evangelho aos hindus na Índia, ele ouviu, em tom de repreensão: "se Deus quiser salvar os perdidos, Ele mesmo fará isto, sem precisar de missionários".

8.    Graças a Deus este tempo já ficou para trás.

9.    Em nossa declaração doutrinária, a Declaração Doutrinária da CBB, o 13º tópico é sobre evangelização e missões, e assim está escrito:

 

A missão primordial do povo de Deus é a evangelização do mundo, visando à reconciliação do homem com Deus. (Mt 28.19,20; Jo 17.20; At 1.8; 13.2,3)

 

É dever de todo discípulo de Jesus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo exemplo e pelas palavras, a realidade do Evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los e ensiná-los a observar todas as coisas que Jesus ordenou. (Mt 28.18-20; Lc 24.46-49; Jo 17.20)

 

A responsabilidade da evangelização estende-se até aos confins da terra e por isso as igrejas devem promover a obra de missões, rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua seara. (Mt 28.19; At 1.8; Rm 10.13-15)

 

10. Você pode ler a Declaração Doutrinária da CBB na íntegra no seguinte endereço eletrônico: http://www.batistas.com/institucional/declaracao-doutrinaria

11. Em nossa declaração de princípios, na parte que versa sobre nossa tarefa contínua, sobre o evangelismo e missões assim lemos:

 

Evangelismo:

O evangelismo é a proclamação do juízo divino sobre o pecado, e das boas novas da graça divina em Jesus Cristo. É a resposta dos cristãos às pessoas na incidência do pecado, é a ordem de Cristo aos seus seguidores, a fim de que sejam suas testemunhas frente a todos os homens. O evangelismo declara que o evangelho, e unicamente o evangelho, é o poder de Deus para a salvação. A obra de evangelismo é básica na missão da igreja e no mister de cada cristão.


O evangelismo, assim concebido, exige um fundamento teológico firme e uma ênfase perene nas doutrinas básicas da salvação. O evangelismo neotestamentário é a salvação por meio do evangelho e pelo poder do Espírito. Visa à salvação do homem todo; confronta os perdidos com o preço do discipulado e as exigências da soberania de Cristo; exalta a graça divina, a fé voluntária e a realidade da experiência de conversão.


Convites feitos a pessoas não salvas nunca devem desvalorizar essa realidade imperativa. O uso de truques de psicologia das massas, os substitutivos da convicção e todos os esquemas vaidosos são pecados contra Deus e contra o indivíduo. O amor cristão, o destino dos pecadores e a força do pecado constituem uma urgência obrigatória.


A norma de evangelismo exigida pelos tempos críticos dos nossos dias é o evangelismo pessoal e coletivo, o uso de métodos sãos e dignos, o testemunho de piedade pessoal e dum espírito semelhante ao de Cristo, a intercessão pela misericórdia e pelo poder de Deus, e a dependência completa do Espírito Santo.


O evangelismo, que é básico no ministério da igreja e na vocação do crente, é a proclamação do juízo e da graça de Deus em Jesus Cristo e a chamada para aceitá-lo como Salvador e segui-lo como Senhor.


Missões:

Missões, como usamos o termo, é a extensão do propósito redentor de Deus através do evangelismo, da educação e do serviço cristão além das fronteiras da igreja local. As massas perdidas do mundo constituem um desafio comovedor para as igrejas cristãs.


Uma vez que os batistas acreditam na liberdade e competência de cada um para as próprias decisões, nas questões religiosas, temos a responsabilidade perante Deus de assegurar a cada indivíduo o conhecimento e a oportunidade de fazer a decisão certa. Estamos sob a determinação divina, no sentido de proclamar o evangelho a toda a criatura. A urgência da situação atual do mundo, o apelo agressivo de crenças e ideologias exóticas, e nosso interesse pelos transviados exigem de nós dedicação máxima em pessoal e dinheiro, a fim de proclamar-se a redenção em Cristo, para o mundo todo.


A cooperação nas missões mundiais é imperativa. Devemos utilizar os meios à nossa disposição, inclusive os de comunicação em massa, para dar o Evangelho de Cristo ao mundo. Não devemos depender exclusivamente de um grupo pequeno de missionários especialmente treinados e dedicados. Cada batista é um missionário, não importa o local onde mora ou posição que ocupa. Os atos pessoais ou de grupos, as atitudes em relação a outras nações, raças e religiões fazem parte do nosso testemunho favorável ou contrário a Cristo, o qual, em cada esfera e relação da vida, deve fortalecer nossa proclamação de que Jesus é o Senhor de todos.


As missões procuram a extensão do propósito redentor de Deus em toda parte, através do evangelismo, da educação, e do serviço cristão e exige de nós dedicação máxima.

 

12. http://www.batistas.com/institucional/principios-batistas é o endereço eletrônico onde você pode ler na íntegra os Princípios Batistas.

13. Estamos já acostumados em nossa igreja a realizarmos todos os anos, além do trabalho normal de evangelização, algumas campanhas missionárias, conforme já falamos.

14. Por quê?

15. Quais seriam algumas razões para isso, para fazermos missões?

16. Pensemos em apenas quatro razões:

 

I. Fazemos Missões porque Jesus fazia Missões

 

1.    Os evangelhos são claros em nos mostrar que Jesus fazia missões.

2.    Bastam alguns trechos para constatarmos isso.

3.   Em Mateus 4.23 lemos que Jesus “percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o Evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”

4.   Em Mateus 9.35 lemos que ele “percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo”

5.   Em Lucas 9.1-2 vemos Jesus enviando “missionários”: “convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, e para curarem enfermidades; e enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos”

6.   E em Lucas 19.10 Jesus diz dele mesmo que “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”, e, aprendemos com o Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 1.21, essa “busca e salvamento” se dá através da pregação do evangelho.

7.    Jesus fazia Missões, portanto, nada mais natural que os seus discípulos também façam Missões, isto é, ajam de alguma forma em prol da salvação dos perdidos.

8.    O segundo motivo que quero apresentar é:

 

II. Fazemos Missões porque Jesus ordenou que fizéssemos Missões

 

1.    Pesquisando um pouco sobre esse assunto encontrei a seguinte frase, originalmente em inglês (tradução do Google):

 

“Pergunte a si mesmo esta pergunta: "Por que Jesus veio à Terra?”. Qualquer pessoa, mesmo com um conhecimento superficial da Bíblia sabe a resposta. Foi para reconciliar o homem consigo mesmo. Foi para restaurar o relacionamento que foi rompido entre o homem e Deus como resultado da rebelião. Ele na terra tinha essa missão em mente, e agora, como ele já voltou para o céu, a missão foi deixada para nós, como indicado em 1 Coríntios 5:18, "Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da Reconciliação”.

 

2.   E não é verdade isso?

3.   Sim, é verdade!

4.   Jesus deixou conosco a responsabilidade de fazer Missões, de levar a mensagem do evangelho a todas as pessoas em todos os lugares.

5.    Assim lemos em Mateus 28.18-20:

 

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes (aos discípulos), dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;  Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém.”

 

6.   Em Atos 1.8 Jesus diz:

 

“recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”

 

7.    E é com base nesse fato que a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira diz que a missão primordial do povo de Deus é a evangelização do mundo, visando a reconciliação do homem com Deus e que é dever de todo discípulo de Jesus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo exemplo e pelas palavras, a realidade do evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los e ensinar a observar todas as coisas que Jesus ordenou, e também que a responsabilidade da evangelização estende-se até aos confins da terra e por isso as igrejas devem promover a obra de missões, rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua seara.

8.   Jesus mandou, por isso, além das outras razões, fazemos Missões.

9.   Vamos à terceira razão.

 

III. Fazemos Missões porque pessoas de todas as tribos, povos, línguas e nações precisam ouvir o evangelho da graça.

 

1.    Pergunto para os irmãos: existe alguém neste mundo que seja imaculado, sem pecado e que não careça da graça de Deus?

2.    Atribui-se a Dick Hills a seguinte frase: “Cada coração com Cristo é um missionário, e cada coração sem Cristo é um campo missionário”.

3.    Onde houver um coração sem Cristo, aí o evangelho precisa ser pregado. Se num lugar remoto da terra houver uma, apenas uma pessoa, e se essa for uma pessoa que nunca ouviu falar de Cristo, precisamos levar o evangelho até essa pessoa. Se não houver outro meio, alguém precisará ir lá lhe falar do amor e da Graça de Deus em Cristo Jesus.

4.    Textos que já lemos aqui hoje dizem que o evangelho deve ser pregado:

a.    Em todas as nações;

b.    Em Jerusalém, toda a Judéia, Samaria e até aos confins da terra.

5.    Em Apocalipse 5.9 e 7.9 lemos:

 

“E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação;” / “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestidos brancos e com palmas nas suas mãos”

 

6.    E para ouvirem é preciso que alguém lhes pregue a Palavra. Assim lemos em Romanos 5:

 

“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. 

 

Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. 

 

Como, pois, invocarão aquele em quem não creram?

 

e como crerão naquele de quem não ouviram?

 

e como ouvirão, se não há quem pregue? 

 

E como pregarão se não forem enviados?...

 

7.    Então, precisamos pregar; e precisamos enviar pregadores.

8.    E, por último, uma razão que para pronunciá-la tomo emprestadas as palavras do artigo “Por que fazer missões é uma tarefa tão urgente?”, de Hernandes Dias Lopes:

 

IV. A conversão daqueles por quem Cristo morreu traz glória ao nome de Deus

 

1.    Ainda nas palavras de Hernandes Dias Lopes no referido artigo:

 

Fazemos missões para que os povos venham e se prostrem aos pés de Jesus e deem a Deus toda a glória devida ao seu nome. A glória de Deus deve ser a nossa motivação mais elevada para evangelizarmos todos os povos, tribos, línguas e nações!

 

2.    "A glória de Deus deve ser a nossa motivação mais elevada...".

3.    Não podemos negar que somos tendentes em buscar glória para nós. Nossa carne, em geral, é inclinada a isso. Se tocamos bem, se cantamos bem, se trabalhamos bem, se pregamos bem... se tudo "deu certo"... às vezes o orgulho tenta aflorar... e às vezes até fazemos com o objetivo de nos autopromover. Às vezes nem nos damos conta, negamos, e até nos enganamos a nós mesmos esquecendo-nos de que “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9 RC)

4.    Eu disse "às vezes" e não "sempre" – e talvez nem seja o caso de todos; cada qual julgue-se a si mesmo.

5.    Fazer missões orando, indo e contribuindo deve ter como motivo a glória de Deus e não a nossa glória pessoal ou a glória de nossa igreja local ou a glória de nossa denominação.

 

Concluindo

 

1.    Valdir Steuernagel, em “Obediência Missionária e Prática”, escreveu a certa altura:

 

"Uma espiritualidade sadia vive na presença de Deus, alimenta-se da Palavra, se expressa em comunidade e se caracteriza por um espírito missionário”.

 

2.    Um dia uma mulher criticou o grande evangelista do século XIX, D.L. Moody pelos seus métodos de evangelismo no intuito de ganhar pessoas para Cristo. Moody respondeu:

 

"Concordo com você, eu não gosto do jeito com que faço isso também. Diga-me, como fazê-lo?" A mulher respondeu, "Eu não sei fazer isso!" Moody então disse, "Então eu gosto do meu jeito de fazer isso melhor que o seu jeito de não fazê-lo!"

 

3.    Se somos discípulos de Cristo, precisamos fazer missões. Não importa como e nem o quanto fazemos, desde que não nos acomodemos em fazer menos e com menor qualidade do que realmente podemos.

4.    Precisamos fazer porque Jesus fez; o Mestre deixou o exemplo para seguirmos.

5.    Precisamos fazer porque Jesus ordenou que fizéssemos

6.    Precisamos fazer porque há muita gente, de todos os povos, tribos, raças e nações carentes de ouvir o evangelho da Graça de Deus.

7.    E precisamos fazer porque a conversão daqueles por quem Cristo morreu trará glória ao nome de Deus.

8.    Então, vamos fazer Missões.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

IBMuqui – Junho de 2017

domingo, 28 de maio de 2017

Que darei eu ao Senhor?


QUE DAREI EU AO SENHOR?

 

“Que darei eu ao SENHOR por todos os benefícios que me tem feito?”

(Salmos 116:12 RC)

 

1.    Introdução

 

a.    O Salmo 116 é um salmo de gratidão a Deus.

b.    A razão da gratidão é: “ele ouviu a minha voz e a minha súplica” e “inclinou a mim os seus ouvidos”. E em Deus inclinando os seus ouvidos e ouvindo a voz e a súplica do salmista, o livrou de coisas que ele descreve como “cordéis (laços) da morte” e “angústias do inferno”. E, por isso, pela bondade do Senhor em fazer por ele muitas e grandiosas coisas, ele considera: “que darei eu ao Senhor...?”

c.    Bem, hoje estamos aqui para também oferecermos ao Senhor, junto com Claudinei e Mirna, um culto de gratidão por 19 anos de casamento. Louvado seja Deus o motivo não é o livramento de coisas que podem ser descritas como cordéis da morte e angústias do inferno. Creio que em algum momento da vida já tenham vivido situações que bem poderiam ser assim descritas, mas hoje não. Louvado seja Deus, hoje não. E, por isso mesmo, com mito mais alegria e muito mais vigor que o salmista, a pergunta do casal hoje deve ser “que daremos ao Senhor por tantos benefícios que Ele nos tem feito?”

d.    Mas eu não quero que essa seja uma pergunta só do casal, mas de todos quantos aqui estamos, porque todos temos sido agraciados com os inumeráveis e grandiosos benefícios do Senhor.

e.    Portanto convido a todos a que estejam atentos porque quero oferecer a todos três pontos de reflexão tendo como base essa pergunta do salmista.

f.     O primeiro ponto de reflexão é que esta é...

 

2.    Uma boa pergunta num tempo em que nossa atitude em geral é mais de perguntar “o que pedirei ao Senhor”?

 

a.    Não que seja errado pedir. Não é! Errado é não pedir, porque somos abundantemente orientados nas Sagradas Escrituras a pedir; o nosso Deus é um Deus que se compraz em nos abençoar.

b.    Mas erramos quando todo o nosso interesse em Deus é acerca e por causa das coisas que Ele pode nos dar.

c.    Jesus nos ensinou a pedir, e também ensinou que Deus nos atende e supre todas as nossas necessidades, mas também nos ensinou que o reino e a justiça de Deus devem ser buscados por nós em primeiro lugar. Junto com “o pão nosso de cada dia nos dá hoje” deve vir “santificado seja o Teu nome e seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu”

d.    Já percebeu como mesmo nós que somos bem informados, instruídos na Palavra de Deus temos dificuldade de fazer uma oração sem nada pedir a Deus? Mesmo entre aqueles que tem um relacionamento com Deus que não é só de interesse há uma certa dificuldade em só oferecer algo ao Senhor só por aquilo que Ele já fez, sem nada pedir a mais. Então, eu sou solicitado a orar agradecendo a Deus pela refeição, por exemplo, e seu eu digo “graças te dou ó Pai por esse alimento que hoje temos em nossa mesa e pela certeza de que sempre o teremos, amém”, o que você vai dizer? Bem, você eu não sei, mas minha sogra, que tem 86 anos de idade e 100 de crente, diria que eu estou com fome, porque a oração tem que ser um pouco mais longa, e para ela ser um pouco mais longa inclui-se um monte de pedidos.

e.    Então essa é uma boa pergunta – “o que darei eu ao Senhor?”

f.     O segundo ponto de reflexão que quero lhes oferecer é que esta é...

 

3.    Uma pergunta que pode ser retórica

 

a.    “Pode” não no sentido de que ela seja retórica no salmo, mas no sentido de que nós podemos considera-la assim.

b.    Pergunta retórica é uma pergunta que não tem como objetivo obter uma resposta, e, sim, levar a uma reflexão sobre determinado assunto.

c.    Sendo assim, ao considerarmos essa pergunta como sendo uma pergunta retórica, qual é a reflexão a que ela deve nos levar?

d.    Penso eu que a reflexão deve ser a respeito do fato de que nada temos que possamos ofertar a Deus que esteja à Sua altura ou mesmo à altura de tudo quanto Ele faz por nós.

e.    Pensemos primeiro em Deus.

                                  i.    Muitos livros foram escritos, com base na Bíblia, para falar sobre Deus. Um dos que tenho em casa foi escrito por William MacDonald e Brad Hanes, é editado no Brasil pela Editora Fiel, e o título é “Suprema Majestade”. Trata-se de um curso bíblico sobre os atributos de Deus. Só neste livro os autores extraem da Bíblia, dentre outras, as informações de que Deus:

Ø  É o Deus verdadeiro;

Ø  É A Fonte Sempiterna de vida;

Ø  É o Senhor Autossuficiente;

Ø  É aquele cujo conhecimento é sem limites;

Ø  É Onipresente;

Ø  É o Rei Eterno;

Ø  É Imortal;

Ø  É sem medida;

Ø  É Soberano;

Ø  É Grandioso demais para ser compreendido

                                ii.    E, além disso, os autores falam, também com base nas Escrituras, sobre a magnificência, o amor, a graça, a misericórdia, a santidade, a bondade, a retidão, a justiça, a fidelidade, etc, de Deus.

                               iii.    E em um certo ponto eles falam sobre o fato de que Deus está muito acima de tudo.

Ø  E não é isso que diz Davi em 1 Crônicas 29.11-12?

 

“Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto nos céus e na terra; teu é, SENHOR, o reino, e tu te exaltaste sobre todos como chefe.  E riquezas e glória vêm de diante de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão força e poder; e na tua mão está o engrandecer e dar força a tudo.” (RC)

 

Ø  E também não é isso que está escrito em 2 Crônicas 20.6?

 

“E disse: Ah! SENHOR, Deus de nossos pais, porventura, não és tu Deus nos céus? Pois tu és dominador sobre todos os reinos das gentes, e na tua mão força e poder, e não há quem te possa resistir.” (RC)

 

                               iv.    O que dar a um Deus assim? O que é que nós temos que seja digno Dele? E o que é que nós temos que não nos tenha sido concedido por Ele?

 

f.     Agora pensemos em o que Deus faz por nós

                                  i.    Não podemos perder de vista o que escreveu o salmista que fez essa pergunta. O que Deus fez por ele?

Ø  Deus inclinou para ele os seus ouvidos e ou viu a sua voz e as suas súplicas e o livrou de coisas que ele classificou como “cordéis da morte” e angústia do inferno”, coisas que lhe causavam aperto e tristeza.

                                ii.    E o que Deus faz por nós?

Ø  Paulo, em Atos 17, apresentando Deus, o Deus verdadeiro, aos atenienses que se preocupavam em reverenciar todos os *deuses*, tendo, inclusive, um altar dedicado a um possível “deus desconhecido”, diz que o Deus verdadeiro é o Deus que fez o mundo e tudo o que nele há e que é Senhor do céu e da terra, e que esse Deus não necessita ser servido por mãos humanas, pois é ele mesmo quem dá a todos a vida, e a respiração e todas as coisas. O que esse Deus faz por nós? Ele dá vida, respiração e todas as coisas.

Ø  O Senhor Jesus, em Mateus 6.25ss, diz que é para não andarmos ansiosos por coisa alguma, e diz que assim como o Pai Celestial cuida das aves e das flores do campo, Ele cuida também de nós no tocante a tudo quanto necessitamos. O que esse Deus faz por nós? Ele cuida de nós e provê para nós em todas as nossas necessidades.

Ø  Ele abre os olhos aos cegos, sustenta os que caem, levanta os abatidos, restaura vidas, restaura casamentos...

Ø  E o que mais?

Ø  Em João 3.16 lemos que Deus nos amou de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito para que, em crendo nele, sejamos salvos. O que esse Deus faz por nós? Ele nos ama e nos salva de eterna perdição.

Ø  Em Lucas 19.10 lemos que “o Filho do homem veio para buscar e salvar o que se havia perdido. O que esse Deus faz por nós? Ele envia seu filho como filho de homem para buscar e salvar a nós, perdidos pecadores.

Ø  Ele fez de nós herdeiros seus e co-herdeiros com Cristo; Ele nos abençoou com toda sorte de bênção nos lugares celestiais em Cristo; Ele nos transformou de mortos em delitos e pecados para vivificados em Cristo; Ele tem preparado para mostrar a nós nos séculos vindouros aquilo que é descrito como “suprema riqueza da Sua graça”; Ele tem preparadas fontes de águas vivas para as quais seremos apascentados por Cristo na eternidade.

Ø  E muita coisa mais.

                               iii.    Então, o que dar a esse Deus? O que temos para Lhe dar que seja digno daquilo que Ele já fez, está fazendo e fará por nós; o que dar a Ele que esteja à altura do que Ele nos tem dado?

g.    A resposta honesta é que não temos nada assim de nós mesmos para oferecer. Tudo o que nós temos e até o que possamos ter não está à altura de Deus e nem do que Ele tem feito por nós. Veja bem, não estou dizendo que Deus não recebe, o que estou dizendo é que Ele está muito acima do que qualquer coisa que possamos Lhe oferecer e que, então, nossa atitude diante Dele quando Lhe oferecemos alguma coisa deve ser de humildade. Então, podemos fazer essa pergunta do salmista na forma de pergunta retórica, uma pergunta não para ser respondida, mas para nos levar à reflexão porque já vem com resposta implícita – O que dar a Deus? Se formos pensar em oferecer-Lhe alguma coisa que esteja à Sua altura ou mesmo à altura do que Ele tem feito por nós, então nada temos para oferecer.

h.    E isso nos leva ao terceiro ponto de reflexão:

 

4.    Entretanto, essa também é uma pergunta que pode ser *não retórica*.

 

a.    Eu digo isso porque apesar de não termos nada para oferecer de nós mesmos que esteja à altura de Deus, isso não significa que não possamos e não devamos dar nada. Podemos e devemos dar, e Deus aceita nossa dádiva, e até nos orienta em Sua palavra o que lhe oferecer.

b.    O salmista fez a pergunta e deu a sua resposta:

                                  i.    Tomarei o cálice da salvação

                                ii.    Invocarei o nome do Senhor

                               iii.    Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o Seu povo

                               iv.    Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor

c.    E nós? Diante de tantos benefícios da parte de Deus para nós, o que podemos lhe oferecer?

                                  i.    Quando Saul era rei de Israel, muitas coisas erradas ele fez, ao ponto de Deus rejeitá-lo como rei. Uma dessas coisas está narrada em 1 Samuel 15 – Ele desobedece a Deus (ou obedece apenas parcialmente) no tocante ao que deveria ser feito com todas as coisas na guerra contra os Amalequitas; nada era para ser trazido como despojo, mas ele permitiu que o povo trouxesse as melhores ovelhas e vacas, e,  repreendido por Samuel, “explica” que seria para “oferecer a Deus em Gilgal”, ao que Samuel lhe diz: “tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria e o porfiar é como iniquidade e idolatria”. Então, o que vamos dar ao Senhor? Ora, vamos dar a Ele a nossa obediência. Obviamente que podemos e devemos cultuá-lo, conforme estamos fazendo, mas esse culto e qualquer outro culto não tem muita razão de ser se não for acompanhado da obediência da parte de quem o oferece (e todos nós o estamos oferecendo, e não apenas o casal).

                                ii.    Veja também Deuteronômio 10.12 e 13. Depois que Deus, em sua misericórdia, substitui as tábuas da lei que foram quebradas, orienta a que o povo prossiga na conquista da terra prometida, e orienta sobre quais devem ser as atitudes do povo em relação a Ele:

Ø  ... temas ao Senhor Teu Deus...

Ø  ... andes em todos os Seus caminhos...

Ø  ... o ames....

Ø  ... sirvas ao Senhor teus Deus como todo o teu coração e com toda a tua alma...

Ø  ... guardes os mandamentos do Senhor...

 

Então, o que dar ao Senhor? Ora, essas coisas que o Senhor pede de nós. 

 

                               iii.    2 Crônicas 7.14, um texto que gostamos muito pela promessa que contém de que o Senhor ouvirá as nossas orações e sarará a nossa terra, nos diz que Deus quer que sejamos humildes e oremos buscando Sua face arrependidos de nosso mal caminho.

                               iv.    Em João 4, na conversa de Jesus com a Samaritana, vemos que devemos dar a Deus a nossa adoração em espírito e em verdade.

                                v.    Romanos 12 diz-nos para oferecer a Ele o nosso corpo, todo o nosso ser, em sacrifício vivo e santo, o que Lhe é agradável.

d.    Tudo o que somos e tudo o que temos é o que devemos oferecer. E Deus recebe.

 

5.    Conclusão

 

a.    O que darei eu ao Senhor?

b.    Louvor, culto, oferta... tudo. Há muito que oferecer, mas que saibamos que nada será demais, por ser Deus quem é e por fazer Ele o que Ele faz.

 

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Culto lar Claudinei e Mirna – Maio 2017